Imagens, anotações, pedaços de dia-a-dia.
Um caderno de bolso virtual
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12.22.2003

A dieta do armário

Resolvi que nos próximos dias hei de arrumar alguns armários por aqui. Jogar coisa fora, começar o ano livre das inutilidades, ainda que somente as materiais. Sempre encarei essa "renovada" como uma forma de abrir espaço para as coisas novas que virão (e agora não estou falando das coisas materiais).

Mas conheci uma outra versão interessante para este ritual.

Há anos atrás, quando eu fazia cerâmica, havia uma moça que freqüentava o mesmo ateliê. Não me lembro o nome dela, por mais que me esforce. Mas lembro que fazia umas peças lindas.

Novembro já ia alto, e os assuntos pré-verão reinavam : praia, férias, viagens, planos...

- Menina, estou tão gorda! Preciso arrumar uns armários, jogar tudo fora!!

Imaginei que ela queria apenas se livrar das roupas antigas que não cabiam mais,sei lá, só para não ter que encarar aquela torturante calça jeans inerte lá no canto, sem uso. Mas aí ela começou a desenrolar uma teoria que dizia que a retenção de objetos em casa é proporcional à retenção de líquidos do corpo.

- É sério. Pode notar. Se você tem tendência a guardar muita coisa inútil em casa, isso está relacionado a apego emocional. Pode contar que tem tendência a reter líquidos também e consequentemente engordar... Ah! Por isso é que quando eu tô muito gorda eu me ataco e passo dias jogando tu-do fora... funciona que é uma maravilha!!

Ri, achei curioso e não falei nada, mas imaginei que talvez o sucesso do método estaria mais relacionado ao fato de que enquanto ela está entretida em jogar tudo fora freneticamente pela casa também deve deixar de fazer alguns lanches...

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12.19.2003

Aquela pressa, urgência de resolver tudo antes que 2004 nos pegue de surpresa. Passar a limpo várias coisas : dos aniversários na agenda (tradicional, de papel, sempre!) aos comprometimentos mais pessoais.

É o mês de querer que o dia tenha 48 horas e que as de sono não precisem ser mais do que duas por noite. Os acontecimentos festivos se atropelam tanto quanto as pendências.

Arrumar a casa, arrumar a vida. Dos papéis inúteis na lixeira aos projetos sonhados. Desencavar o tempo do relógio e conseguir tranquilidade para administrar os horários e a disposição.


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12.18.2003



Não é nenhum prato festivo, como vemos muitos divulgados por aí ultimamente, mas quebra um galhão nas férias. Já agradou aos paladares mais avessos à soja. As medidas são mais ou menos de olho, porque não sou nenhum Olivier... Para quem pediu, lá vai a receita do

Macarrão à "Sojonhesa"

- Macarrão (da sua escolha. O que tiver em casa) - quantidade suficiente para 4 pessoas
- Soja texturizada em flocos (PVT - proteína vegetal texturizada, ou a "carne de soja" , a de floquinhos pequenos, que tem um aspecto de carne moída, e não aquele maiorzinho com cara de Bonzo que mais parece uma esponja) - 1 xícara
- 1 lata de molho de tomate
- Alho picado - 2 dentes grandes
- Cebola - 1 cebola média
- Salsa e cebolinha picadas
- Azeite
- Sal

Cozinhar o macarrão normalmente. Não esquecer do sal. Escorrer.

O molho:
- Colocar a soja texturizada de molho em água morna por uns 15 minutos. Escorrer. Apertar pra tirar bem a água.
- Refogar no azeite : o alho e a cebola
- Quando estiverem dourados, juntar a soja e refogar mais uns minutos para pegar o gosto dos temperos
- Colocar o molho de tomate e deixar ferver um pouco até o molho "encorpar"
- Jogar a salsa e a cebolinha no final
- Misturar o molho no macarrão

Queijinho ralado vai bem por cima de tudo.


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12.16.2003

39 graus à sombra

Foi o que vi no termômetro na rua. E claro que hoje foi o dia que tirei meu tempo de almoço para fazer algumas compras de Natal.

Procuro por brinquedos. Nem pensar em passar na porta das Lojas Americanas (aquele lugar maldito onde você entra para comprar um shampoo e sai com muito mais itens do que pretendia inicialmente). As pessoas se acotovelam atrás de Barbies e brinquedos pasteurizados da Eliana. A fila é inacreditável.

Conheço uma lojinha de brinquedos que fica meio escondida em uma galeria e que sempre me salva a pátria. Ela preserva um clima familiar meio "The Shop Around the Corner", a livraria da Meg Ryan no "Mensagem para Você". Para a faixa etária que engloba os primeiros anos é um paraíso. Muitos brinquedos de madeira, fantoches coloridos, carrinhos, fantasias, casinhas... Me perco lá dentro, apesar da loja ser bem pequena. Tenho vontade de comprar tudo.

Saí de lá feliz com os presentes das minhas pequenas. E assim encarei a caminhada de volta sob o calorão deste verão que ainda nem chegou...


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12.15.2003

A Angela escreveu um post lindo, com gostinho de passado e cheirinho de ano novo.

Ah! Se alguém tivesse me avisado antes sobre o conteúdo da "lista de material" que precisei ao longo deste ano de 2003 :

- Paciência
- Sensatez
- Bom humor

Mas tive que encarar fila e comprar tudo em cima da hora...



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12.14.2003

De bicicleta

Não fazia isso há uns 5 anos. Eu e bicicleta estávamos enferrujadas.
Um passeio até a feira me fez recordar o quanto gostava de pedalar.
Pude realmente constatar que andar de bicicleta a gente nunca esquece...


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12.12.2003



Soufleé de Milho
(adaptação do soufleé de cebola de D. Alexia)

- 1 copo de leite
- 1 copo de farinha
- 2 ovos
- 1 lata de milho
- 4 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
- Sal
- Pimenta do reino

Bater no liquidificador
- leite
- ovos
- farinha
- 1/2 lata de milho
- sal
- pimenta

Acrescentar o restante da lata de milho e o queijo na massa, depois de batida.
Untar um refratário com óleo e farinha. Despejar a massa e levar ao forno pré aquecido até dourar (aproxim. 25 minutos).

Vale substituir o milho por outra coisa - ervilha, cenoura, o que tiver na geladeira...

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12.11.2003

Quadro sem balões

Escassez de comunicação transforma a vida em uma grande história em quadrinhos sem balões, onde cada um lê aquilo que mais lhe convém...

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12.10.2003

Sábias senhoras

Ontem fui sozinha ao restaurante onde costumo almoçar com razoável frequência e havia várias mesas ocupadas por animadas senhoras. Umas 40 senhoras, no mínimo, onde as de 70 anos deviam ser as mascotes. E falavam bastante, todas ao mesmo tempo, levantavam pra tirar fotografias, trocavam presentes com entusiasmo. Era nitidamente alguma comemoração de fim de ano e, imaginei eu, que talvez fosse da academia de hidroginástica que é ali perto e possui turmas disputadíssimas pela terceira idade.

Percebi que alguns clientes estavam incomodados, e os garçons tentavam amenizar a situação com aquela cara de "É... tenha paciência... é só hoje...". Até um deles veio em direção à minha mesa como que para dar alguma satisfação à cliente cativa aqui.

Provavelmente porque morei junto com a minha avó (uma mulher divina, que foi alegre e ativa até quando pôde e faleceu aos 92 anos), mas tenho uma admiração enorme por essas pessoas que sabem viver sem vergonha de mostrar a idade que tem, sábias e felizes. Não aguentei a expressão de piedade que o garçon lançava para mim - provavelmente pensando "Coitada, gosta tanto de vir aqui, e estas senhoras sem noção atrapalhando..." - que mesmo antes dele completar a frase ensaiada eu já sai com um sorriso e um :
- Tô achando um barato ! Quando eu crescer quero ser assim...

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"As personagens não nascem de um corpo materno, como os seres vivos, mas de uma situação, uma frase, uma metáfora que contém em embrião uma possibilidade humana fundamental que o autor imagina não ter sido ainda descoberta, ou sobre a qual nada ainda foi dito de essencial.

Mas não se diz sempre que o autor só pode falar de si mesmo ?

Minhas personagens são minhas próprias possibilidades que não foram realizadas. É o que me faz amá-las a todas e temê-las ao mesmo tempo."


(Milan Kundera - A Insustentável Leveza do Ser)


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12.9.2003

Por que vegetariana ?

De tanto me perguntarem sobre os motivos para eu ter me tornado vegetariana, resolvi escrever sobre o assunto. Depois de quase 2 anos acho que tenho um bom rascunho das perguntas que me são feitas e do padrão das situações em que essas perguntas ocorrem - na grande maioria das vezes à mesa, em tom de desafio, enquanto tudo o que quero é comer tranquila e não ficar explicando 1001 motivos para não haver carne no meu prato. Pesando tudo isso, gostaria de entender porque o vegetarianismo às vezes parece "incomodar", ofender.

O termo vegetariano está relacionado ao não consumo de carne em geral, seja por razão de saúde, ecológica, ideológica ou o que for, o que não significa de forma alguma abrir mão do sabor e/ou nutrientes (a tão falada falta de proteína!) como muitos ainda acreditam. Não existe o termo pisci-vegetariano ou polo-vegetariano, por exemplo, para os que me perguntam também sobre peixes e frango. 90% das pessoas que são vegetarianas se enquadram na categoria ovo-lacto, que ingerem derivados (ovo e leite). É aí que me incluo.

Tenho em mente que isso é apenas mais uma das muitas opções pessoais que fazemos ao longo da vida. Não aponto para o prato de ninguém dizendo "Que horror!", não tento "converter" ninguém, vou a churrascos, não tenho a menor crise com isso...

Tudo é uma questão de novos hábitos. A minha vontade e curiosidade sempre foram grandes. Me informei muito sobre o assunto antes de tentar. Me dei um prazo de um mês de adaptação para saber como meu organismo reagiria. E lá se vão quase 2 anos... Mais disposição, mais energia. Hoje me alimento muito melhor em termos de qualidade (e quantidade!) do que há anos atrás. O prato é mais vivo, mais colorido, mais cheiroso. Me dei uma chance para experimentar coisas novas, comecei a apreciar melhor o sabor dos alimentos. Isso sem falar na variedade, facilidade e maior rapidez no preparo dos pratos, considerando que não gostava nada nada de cozinhar.

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12.5.2003

Running to stand stillRunners High

Como já alertei por aqui, sou uma pessoa de registros. E, já que estamos em Dezembro, seria inevitável fazer alguma espécie de levantamento mais cedo ou mais tarde.

Sou contra estas listas de resolução de fim de ano do tipo "ano que vem vou acordar mais cedo", "ano que vem eu paro de comer carne" (essa, em especial, já prometia a mim mesma há mais de 10 anos, e já era quase tradição quebrá-la em algum churrasco na casa de alguém no dia primeiro... Mas é assunto para outro post), dentre outras... Quase sempre não dá certo.

Curiosamente em 2003 consegui levar adiante uma prática que estava estacionada : correr. Na rua, na rua. Porque já andei explicando por aí que esse negócio de esteira faz com que eu me sinta um hamster.

Associei o ato de voltar a correr a uma espécie de ritual próprio, com registro gráfico dia-a-dia (vide imagem acima) da evolução em quilômetros/tempo/velocidade média e registro escrito das sensações e observações. Como se percebe, infelizmente, lá pelo mês de Setembro a coisa degringolou. Já não encontrava tempo/disposição para meu ritual às 7:00 da manhã.

Me dei conta que a corrida é para mim muito mais do que um simples compromisso saudável. É um tempo que tenho para mim e, apesar de pequeno, me renova, me deixa de mente limpa. É quando eu sou levada a uma espécie de transe, que começa racional, pensando primeiro em metas e quilometragem, e segue adiante até o momento em que pernas, braços e mente seguem seu caminho por si próprios. Sinto o calor do dia no rosto e tenho a sensação que poderia continuar correndo eternamente...

Seu eu fizer uma lista de resoluções para 2004, retomar a corrida estará no topo.
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12.4.2003

Escolhendo o nome

Essa vai como dica para pais de primeira viagem.
Dentre os inúmeros motivos que nos fazem escolher o nome que daremos para um filho, um deve ser particularmente levado em consideração : escolha sempre um nome que lhe seja extremamente agradável sonoramente, porque você vai repeti-lo em média umas 100 vezes ao dia. Por motivos variados.
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12.3.2003

Primeiro post?

Bom, taí. O projeto saiu do papel, ganhou a tela. Engraçado me ver escrevendo um primeiro post oficial ... Logo eu, que me vejo pensando em forma de pequenos posts já há muitos anos... Observo, analiso, gosto de digerir as idéias. Ilustro e arquivo passagens contando apenas com minha boa memória visual e meu olhar fotográfico. As minhas memórias têm cor, cheiro, textura e sabor. Como a canela.

Ao longo do tempo, alguns pensamentos viraram textos (no papel, escritos à Bic, nunca divulgados). Muitos viraram desenhos, guardados na estante, cheios de significados e interpretações ao gosto do freguês. E outros tantos pensamentos se perderam por aí, por falta de tempo, recesso criativo ou qualquer outro motivo que justifique.

Tenho necessidade de registrar, datar as coisas. E preciso tirar meus registros (do mais complexo ao mais bobo) do egoísmo da mente e da solidão da estante.

A vontade de criar um blog já não é novidade. Já flerto com essa idéia há uns 2 anos. Templates ? Já fiz vários... Está na hora de tirar a minha memória dos bastidores pessoais e criar o Mais Canela, por favor.

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